Quando Jair Bolsonaro indicou o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como herdeiro político do “projeto nacional” bolsonarista, a decisão dividiu opiniões até dentro do próprio campo conservador: pesquisas do início do ano mostravam parte do eleitorado de direita cética quanto à capacidade de Flávio de repetir o desempenho eleitoral do pai.
Nove meses depois, a pesquisa Genial/Quaest divulgada em 7 de setembro mostrou Lula e Flávio tecnicamente empatados no cenário de segundo turno, com 41% das intenções de voto cada um.
O dado é notável por um motivo simples: Flávio chega a essa posição enfrentando o aparato de um governo em exercício, com toda a máquina federal a favor de Lula, e ainda assim reduziu a distância que era de um ponto percentual para o zero.
Para os defensores de sua candidatura, o resultado é a prova de que a base bolsonarista se manteve coesa mesmo diante da inelegibilidade do próprio Jair Bolsonaro e da ausência de um nome de “primeira linha” alternativo.
Em um cenário de desaprovação crescente do governo federal — hoje em 50%, segundo o mesmo instituto —, o empate técnico sinaliza que outubro pode reservar uma disputa mais acirrada do que o establishment político em Brasília gostaria de admitir.
Continuar “a missão”: o que está em jogo na candidatura que Jair Bolsonaro entregou ao filho
Ao anunciar sua candidatura, Flávio Bolsonaro descreveu a decisão do pai como a entrega de uma missão: dar continuidade ao que classificou como o “projeto nacional” iniciado em 2019.
A escolha, oficializada pelo PL em julho, consolidou Flávio como representante do espectro bolsonarista na disputa presidencial — em um momento em que o próprio Jair Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e está inelegível até 2030, decisão que seus apoiadores continuam classificando como desproporcional e politicamente motivada.
Para o eleitorado que se identifica com essa leitura, a candidatura de Flávio carrega um peso simbólico que vai além do currículo político do senador: representa a continuidade de uma agenda de costumes conservadores, redução do Estado e alinhamento com Washington que marcou o governo anterior.
Críticos apontam a fragilidade da experiência executiva de Flávio e o histórico de investigações sobre a chamada “rachadinha” — caso em que o próprio senador nega qualquer irregularidade e cujo processo foi arquivado pela Justiça. Ainda assim, entre seus apoiadores, prevalece a leitura de que barrar Jair Bolsonaro nas urnas não conseguiu, na prática, barrar o movimento que ele construiu — e Flávio é hoje o rosto dessa continuidade.