Arrascaeta, Gómez e Cano: naturalização pode virar saída para clubes com nova regra da CBF

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Com a redução gradual do limite de estrangeiros, jogadores que já vivem há anos no Brasil podem deixar de ocupar vagas destinadas a atletas de outras nacionalidades

A nova política da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para reduzir gradualmente o número de estrangeiros nos elencos começa a provocar um efeito que vai além das contratações: a naturalização de jogadores que já vivem há anos no país pode ganhar importância no planejamento dos clubes.

Entre os nomes que aparecem nesse cenário estão Arrascaeta, Gustavo Gómez, Piquerez, Flaco López, Villasanti, Germán Cano, Soteldo, Calleri e Emmanuel Martínez.

A possibilidade, porém, não significa que esses jogadores se tornem automaticamente brasileiros. A naturalização depende do cumprimento de requisitos previstos na legislação e da análise do pedido pelas autoridades brasileiras.

Arrascaeta já iniciou processo

Um dos casos mais conhecidos é o de Giorgian de Arrascaeta, do Flamengo.

O uruguaio vive no Brasil desde janeiro de 2015, quando deixou o Defensor Sporting para defender o Cruzeiro. Em 2023, o jogador já havia iniciado o processo para obter a cidadania brasileira.

A situação ganha novo significado diante da mudança no limite de estrangeiros. Caso conclua a naturalização, Arrascaeta poderá deixar de ocupar uma vaga destinada a estrangeiro nas competições em que a regra da CBF for aplicada.

O que é necessário para conseguir a naturalização?

A legislação brasileira estabelece requisitos para a chamada naturalização ordinária.

Segundo o Ministério da Justiça, o interessado precisa ter capacidade civil, residência por prazo indeterminado no Brasil pelo período exigido, capacidade de se comunicar em português e não possuir condenação penal ou estar reabilitado nos termos da legislação.

O prazo geral de residência é de quatro anos imediatamente anteriores ao pedido.

Existem, entretanto, situações que reduzem esse período. O prazo pode cair para um ano, por exemplo, para quem possui filho brasileiro ou cônjuge ou companheiro brasileiro, desde que atendidas as condições previstas na legislação. Também existem hipóteses de redução para dois anos.

Outro detalhe importante é que o tempo de residência precisa ser comprovado. A posse de imóvel ou de outros bens no país, isoladamente, não é suficiente para demonstrar residência efetiva.

Quem aparece na lista?

Considerando o período de permanência no Brasil informado pelo ge, alguns jogadores estrangeiros que atuam atualmente no futebol brasileiro já atingiram o tempo mínimo para avaliar um pedido de naturalização ordinária.

Entre eles estão:

  • Gustavo Gómez — Palmeiras: no Brasil desde agosto de 2018;
  • Piquerez — Palmeiras: no Brasil desde julho de 2021;
  • Flaco López — Palmeiras: no Brasil desde junho de 2022;
  • Villasanti — Grêmio: no Brasil desde agosto de 2021;
  • Germán Cano — Fluminense: no Brasil desde janeiro de 2020;
  • Soteldo — Fluminense: no Brasil desde agosto de 2022, considerando a atual passagem;
  • Calleri — São Paulo: no Brasil desde agosto de 2021, considerando a atual passagem;
  • Emmanuel Martínez — Vitória: no Brasil desde agosto de 2022.

O tempo de permanência, entretanto, é apenas uma das condições. O processo depende da situação migratória do atleta, da documentação exigida e da comprovação dos demais requisitos legais.

Kannemann mostra que a mudança já acontece

O zagueiro Walter Kannemann, do Grêmio, tornou-se brasileiro em 2026 e passou a não ser contabilizado como estrangeiro no contexto da nova regra, segundo o ge.

O caso do argentino é semelhante ao de outros jogadores que construíram uma longa trajetória no futebol brasileiro.

Outro exemplo conhecido é o ex-meia Andrés D’Alessandro, que também obteve a cidadania brasileira depois de anos vivendo e trabalhando no país.

Nova regra muda planejamento dos clubes

A discussão ganhou força porque a CBF decidiu reduzir progressivamente o número de estrangeiros permitidos nas competições nacionais.

Na prática, clubes que possuem vários jogadores de outras nacionalidades terão de administrar cuidadosamente suas vagas.

Nesse cenário, a naturalização pode representar uma alternativa para atletas que já possuem longa residência no país e pretendem permanecer no futebol brasileiro.

A consequência pode ser especialmente relevante para equipes que mantêm elencos com vários argentinos, uruguaios, paraguaios, colombianos e outros sul-americanos.

Naturalização não é automática

Apesar da relação direta com o futebol, é importante separar a regra esportiva do processo de nacionalidade.

Um jogador atingir quatro anos de residência não significa que ele tenha adquirido automaticamente a cidadania brasileira. O Ministério da Justiça exige documentação específica e análise do pedido. O processo envolve a plataforma oficial de naturalização e a participação de órgãos como Polícia Federal e Ministério da Justiça.

Além disso, ausências do território brasileiro são consideradas na contagem. O Ministério da Justiça informa que viagens ao exterior cuja soma não ultrapasse 12 meses podem não impedir a naturalização ordinária, observados os critérios de proporcionalidade previstos para cada prazo.

O futebol brasileiro entra em uma nova fase

A redução do número de estrangeiros tende a fazer com que os clubes olhem não apenas para o mercado de transferências, mas também para a situação documental dos jogadores que já estão no país.

Para atletas como Arrascaeta, Gómez e Cano, que construíram parte significativa da carreira no Brasil, a naturalização pode deixar de ser apenas uma questão pessoal e ganhar também importância estratégica para a composição dos elencos.

A partir da implementação gradual das novas regras, cada vaga de estrangeiro poderá ter peso maior no planejamento das equipes — e jogadores que eventualmente deixem de ocupar essas vagas poderão representar uma alternativa para os clubes manterem seus principais nomes internacionais no elenco.

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