Presidente do STF mantém sessão de 15 de setembro para analisar o caso envolvendo Alexandre de Moraes e marca para outra data a discussão sobre André Mendonça. Decisão ocorre em meio à escalada da crise interna na Corte.
A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo neste sábado (12). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu não atender ao pedido de Alexandre de Moraes para que seu caso fosse analisado conjuntamente com o procedimento envolvendo o ministro André Mendonça.
Com a decisão, a sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira (15) permanece dedicada à análise do procedimento que envolve as conversas atribuídas a Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A discussão sobre a atuação de Mendonça ficará para uma sessão posterior.
A decisão de Fachin ocorre em um momento de forte tensão entre integrantes do Supremo, depois que documentos relacionados às investigações do caso Banco Master trouxeram à tona mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
Moraes queria análise conjunta
Alexandre de Moraes havia solicitado que os dois procedimentos fossem apreciados na mesma sessão. Segundo a argumentação apresentada pelo ministro, os casos possuem conexão e poderiam envolver elementos probatórios relacionados.
Moraes também questionou a forma como informações da investigação foram tornadas públicas e levantou dúvidas sobre a atuação de Mendonça na condução dos procedimentos ligados ao caso Banco Master.
Fachin, porém, optou por manter os processos separados.
A decisão preserva a sessão de 15 de setembro para discutir especificamente o procedimento relacionado às mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes. A apuração envolvendo Mendonça deverá ser analisada posteriormente, em data definida pela Presidência do STF.
O que está no centro da crise
A origem da disputa está em documentos da Polícia Federal relacionados ao caso Banco Master. Entre os materiais tornados públicos estão registros de conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Segundo as informações divulgadas sobre o relatório, foram identificadas 52 mensagens entre os dois. O conteúdo passou a ser questionado dentro do próprio Supremo e motivou André Mendonça a pedir esclarecimentos e providências sobre a possível existência de elementos que justificassem uma investigação.
É importante destacar, entretanto, que a existência das mensagens e sua interpretação são diferentes de uma conclusão definitiva sobre eventual irregularidade. É justamente esse ponto que está no centro da discussão que chegará ao plenário.
Mendonça também entrou na mira
A reação de Moraes veio em sentido contrário.
O ministro passou a questionar a atuação de Mendonça na condução de procedimentos relacionados ao caso e pediu que fossem apuradas possíveis irregularidades cometidas pelo colega.
Entre os questionamentos apresentados por Moraes estão acusações relacionadas à competência de Mendonça, ao direcionamento de investigações e à utilização de informações produzidas pela Polícia Federal.
O caso ganhou ainda mais complexidade porque o presidente do STF já havia determinado a suspensão de decisões conflitantes envolvendo Mendonça e o ministro Flávio Dino relacionadas ao comando da Polícia Federal. Fachin afirmou que havia conflitos e sobreposições processuais que exigiam intervenção da Presidência da Corte.
Fachin tenta evitar uma escalada dentro do Supremo
A decisão de separar os julgamentos pode ser interpretada como uma tentativa de impedir que dois conflitos envolvendo ministros sejam transformados em um único confronto no plenário.
O presidente do STF já vinha adotando medidas para centralizar na Presidência procedimentos que envolvam possíveis investigações contra integrantes da própria Corte.
Na avaliação apresentada por Fachin em decisões anteriores, a sucessão de decisões divergentes entre ministros criou um cenário de sobreposição processual e risco à estabilidade institucional do tribunal.
A opção por sessões separadas permite que cada procedimento seja analisado individualmente, reduzindo, ao menos em tese, o risco de que uma disputa seja utilizada como argumento para interferir na outra.
Pressão por adiamento aumenta
Apesar da decisão de Fachin, o ambiente dentro do STF continua tenso.
Informações publicadas neste sábado apontam que ministros próximos a Moraes avaliam estratégias para tentar adiar a sessão de terça-feira caso a análise permaneça limitada ao procedimento que envolve o ministro. Entre as possibilidades discutidas está o pedido de vista, mecanismo que interrompe temporariamente a análise de um processo para que um ministro possa examiná-lo com mais profundidade.
A possibilidade de adiamento acrescenta um novo elemento à crise, justamente às vésperas de uma sessão considerada excepcional pela própria natureza do assunto.
Uma crise inédita no Supremo
O episódio coloca o STF diante de uma situação especialmente delicada: ministros da própria Corte passaram a protagonizar procedimentos e acusações relacionados uns aos outros.
De um lado, estão as suspeitas levantadas a partir das mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. De outro, estão os questionamentos sobre a forma como André Mendonça conduziu parte das apurações e determinou medidas relacionadas à Polícia Federal.
No meio da disputa está Edson Fachin, que assumiu a Presidência do Supremo com a tarefa de preservar o funcionamento institucional da Corte em meio ao conflito.
A sessão de 15 de setembro, portanto, deverá representar um dos momentos mais delicados da atual crise no STF. O plenário terá de decidir como tratar o material relacionado às conversas entre Moraes e Vorcaro e quais serão os próximos passos do caso.
Mais do que uma disputa entre dois ministros, o episódio passou a colocar em discussão os limites de atuação dos integrantes do Supremo, o controle sobre investigações envolvendo magistrados e a própria capacidade da Corte de administrar conflitos internos sem comprometer sua autoridade institucional.