Ministro do STF diz que não pediu a íntegra dos dados do celular do ex-banqueiro e questiona as circunstâncias da entrega de um HD ao seu gabinete
A crise em torno das investigações do Banco Master ganhou um novo capítulo neste domingo (13). O ministro **André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou a versão apresentada pela Polícia Federal sobre o envio de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e pediu esclarecimentos sobre as circunstâncias da entrega do material.
Segundo Mendonça, ele não solicitou à PF o envio da íntegra dos dados dos celulares do ex-banqueiro. A Polícia Federal, entretanto, informou que a cópia encaminhada ao gabinete do ministro em março foi produzida após uma solicitação formal do próprio gabinete.
A divergência coloca sob pressão a relação entre o gabinete do ministro e os investigadores responsáveis pelo caso justamente às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro, quando a Corte deverá analisar o caso envolvendo mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça pede esclarecimentos à PF
Em sua manifestação, Mendonça solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, esclarecimentos sobre como ocorreu a entrega do material em 8 de março de 2026.
O ministro também pediu que os delegados responsáveis pela investigação expliquem o contexto da entrega e relatem eventuais dificuldades enfrentadas durante o trabalho investigativo.
O ponto central da controvérsia é um HD criptografado entregue ao gabinete de Mendonça. O ministro afirma que recebeu o dispositivo lacrado e que não abriu o conteúdo. Segundo manifestação anterior, a cópia permanece intacta sob lacre.
A PF, por sua vez, afirma que o aparelho original permanece sob sua custódia e que a cadeia de custódia dos dados está documentada, com mecanismos destinados a preservar a integridade das informações. A instituição também informou ao STF que possui condições técnicas para fornecer cópias integrais dos dados aos ministros, respeitando as regras de sigilo.
Mendonça é contra a abertura integral do celular neste momento
Outro ponto importante da manifestação é a posição de Mendonça contra a liberação imediata de todo o conteúdo do celular de Vorcaro.
O ministro argumenta que a divulgação integral neste momento poderia tumultuar o julgamento de terça-feira e comprometer investigações que ainda estão em andamento.
Mendonça sustenta que o acesso deve ocorrer dentro das regras processuais e que a inclusão de novos elementos às vésperas da sessão poderia desviar o foco da análise que o STF terá de fazer.
A discussão ganhou força depois que ministros como Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes defenderam acesso mais amplo aos dados, sob o argumento de que os integrantes da Corte deveriam ter acesso aos elementos necessários para avaliar o caso.
A questão da “paridade de armas”
No centro da discussão está também a diferença de acesso às informações.
A posição de Mendonça é de que ele possui acesso ao mesmo conjunto de informações disponibilizado aos demais ministros e que a abertura indiscriminada de todo o conteúdo do aparelho neste momento poderia criar uma nova dinâmica processual às vésperas do julgamento.
A controvérsia, portanto, não envolve apenas o conteúdo do celular, mas quem teve acesso a quais informações, quando esse acesso ocorreu e em que circunstâncias os dados foram encaminhados ao gabinete do relator.
Possível pressão sobre delegados entra no caso
Um dos pontos mais sensíveis da manifestação de Mendonça é o pedido para que Fachin apure uma possível situação de pressão ou constrangimento sobre delegados da Polícia Federal.
É importante ressaltar que, até o momento, não está comprovado que tenha ocorrido coação contra os investigadores. O que existe é o pedido de Mendonça para que as circunstâncias sejam esclarecidas e eventualmente investigadas.
A própria PF afirmou ter condições de fornecer o material integral e informou que o conteúdo original permanece preservado sob sua custódia.
STF chega ao julgamento de terça-feira sob forte tensão
A disputa ocorre em um dos momentos mais delicados da crise envolvendo o Banco Master.
Na terça-feira (15), o STF deverá analisar a Petição 16.662, processo que trata especificamente da possibilidade de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes a partir das mensagens atribuídas a ele e a Daniel Vorcaro.
A relatoria desse processo passou recentemente para o presidente do STF, Edson Fachin. A mudança, porém, não significa que Fachin tenha assumido toda a investigação do Banco Master. Os processos principais relacionados ao Master e ao INSS continuam, por enquanto, sob a relatoria de Mendonça.
A sessão de terça-feira poderá representar um momento decisivo para determinar os próximos passos da investigação envolvendo Moraes.
O que está em disputa
Em resumo, existem hoje duas versões sobre um ponto fundamental:
- Mendonça afirma que não pediu à PF a íntegra dos dados do celular de Vorcaro e que recebeu um HD criptografado e lacrado;
- A PF afirma que o material foi enviado após uma solicitação formal do gabinete do ministro;
- Mendonça quer esclarecimentos sobre a entrega realizada em março;
- O ministro também pediu apuração sobre eventual pressão ou constrangimento envolvendo delegados;
- A PF afirma que o aparelho original permanece sob sua custódia e que a integridade dos dados está preservada;
- E o STF se aproxima de uma sessão decisiva sobre as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro.
A disputa agora ultrapassa o conteúdo das mensagens. O que está em jogo também é a forma como as provas foram preservadas, compartilhadas e disponibilizadas aos ministros do Supremo.
O The Arena Times ressalta que alegações e pedidos de investigação mencionados nesta reportagem não representam, por si só, comprovação de irregularidades. As versões da PF e do ministro André Mendonça foram apresentadas de acordo com as informações divulgadas até o momento.