Nunes Marques deixa julgamento de Moraes após alerta sobre possível impedimento no TSE

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Presidente do TSE afirmou preocupação com impacto político às vésperas das eleições; segundo reportagem, técnicos também alertaram para possíveis consequências jurídicas

Brasília — O ministro Kassio Nunes Marques decidiu não participar do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa questões relacionadas à eventual investigação do ministro Alexandre de Moraes no chamado Caso Master.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques justificou publicamente sua decisão com a proximidade das eleições de 2026. Segundo o ministro, participar de uma votação com potencial repercussão política poderia comprometer a percepção de equilíbrio que considera necessária à condução do processo eleitoral.

“Eu entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026”, afirmou Nunes Marques durante a sessão.

Alerta de técnicos do TSE

De acordo com reportagem publicada pelo Metrópoles, entretanto, a decisão teria sido tomada também após uma orientação recebida de técnicos do próprio TSE.

Segundo a publicação, Nunes Marques foi alertado de que sua participação no julgamento do STF poderia provocar questionamentos futuros sobre sua eventual atuação em processos eleitorais relacionados aos desdobramentos políticos do Caso Master.

A preocupação seria evitar que uma decisão tomada no Supremo pudesse posteriormente ser utilizada para sustentar um pedido de impedimento ou suspeição do ministro em processos que chegassem à Justiça Eleitoral.

Nesse cenário, a decisão de Nunes Marques teria buscado preservar não apenas sua atuação individual, mas também a imagem institucional do TSE em um período particularmente sensível do calendário eleitoral.

Ministro nega relação com Vorcaro e Banco Master

A decisão de se afastar do julgamento ocorreu em meio a questionamentos sobre possíveis vínculos entre Nunes Marques, sua família e Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master.

O ministro afirmou que nunca manteve conversas com Vorcaro, que não julgou processos relacionados ao Banco Master e que seu filho, Kevin Marques, não teria prestado serviços nem recebido pagamentos do banco.

A reportagem, porém, menciona mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, nas quais aparecem o nome e o telefone de Kevin Marques, além de referências a pagamentos mensais de R$ 500 mil.

É importante ressaltar que a menção nas mensagens não comprova, por si só, que Kevin tenha recebido os valores citados.

Kevin Marques reconhece ter recebido R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária. Segundo sua versão, o dinheiro correspondeu a serviços jurídicos prestados e não teve relação com o Banco Master ou com o Supremo Tribunal Federal.

Toffoli também fica fora

Nunes Marques não foi o único ministro a se afastar da análise.

Dias Toffoli também declarou-se suspeito e não participou da sessão. O ministro alegou motivo de foro íntimo para justificar sua decisão.

O afastamento ocorreu apesar de Toffoli ter afirmado anteriormente que uma decisão judicial transitada em julgado havia afastado hipóteses de suspeição ou impedimento relacionadas à sua atuação em processos da Operação Compliance Zero.

Um julgamento cercado por questões institucionais

A ausência de Nunes Marques acrescentou mais um elemento às discussões em torno do julgamento envolvendo Alexandre de Moraes e os desdobramentos do Caso Master.

O episódio coloca em evidência uma questão institucional relevante: até que ponto ministros que ocupam posições estratégicas na Justiça Eleitoral devem participar de julgamentos no STF que possam produzir repercussões no ambiente político-eleitoral.

No caso de Nunes Marques, a justificativa oficial foi a preservação do equilíbrio eleitoral. A reportagem do Metrópoles acrescenta que também houve preocupação técnica com possíveis questionamentos futuros sobre sua atuação no TSE.

As suspeitas mencionadas no contexto do Banco Master, por sua vez, permanecem distintas das conclusões jurídicas sobre eventual impedimento ou responsabilidade. As referências a familiares, pagamentos ou contatos não equivalem, isoladamente, à comprovação de irregularidade.

O julgamento do STF segue, portanto, marcado por disputas processuais e pela necessidade de definir os limites de atuação dos próprios ministros diante de um caso com repercussões institucionais e políticas.

Fonte: informações do Metrópoles e declarações públicas dos envolvidos.

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