Ministros receberam cópias dos dados apreendidos pela Polícia Federal, mas relataram dificuldades para abrir e analisar o material. Arquivo tem cerca de 500 GB e reúne mensagens, áudios, documentos e registros do aparelho
Por Redação The Arena Times
O caso envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo neste sábado (19). Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux comunicaram à Polícia Federal que não conseguiram acessar o conteúdo das cópias extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e solicitaram auxílio técnico da corporação.
Segundo as informações divulgadas, os gabinetes receberam cópias do material apreendido na Operação Compliance Zero, mas encontraram dificuldades para abrir e analisar os arquivos. Nos ofícios encaminhados à PF, os ministros mencionaram a possibilidade de problemas técnicos ou até de alguma falha na mídia disponibilizada pela polícia.
O episódio chama atenção porque o conteúdo do aparelho de Vorcaro está no centro de diferentes desdobramentos do caso Master. A própria Corte informou que um relatório da PF produzido a partir de informações extraídas do celular deu origem a uma petição relacionada a supostos diálogos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Um arquivo de aproximadamente 500 GB
O volume de informações é expressivo. A cópia disponibilizada aos gabinetes dos ministros tem aproximadamente 500 gigabytes, reunindo mensagens, arquivos de áudio, documentos e registros de atividades realizadas no aparelho.
A Polícia Federal utilizou ferramentas especializadas de perícia digital para organizar e processar os dados. Entre elas está o IPED, sistema utilizado para indexar e facilitar a busca em grandes volumes de evidências digitais.
O material também pode conter informações recuperadas de arquivos apagados ou protegidos, além de registros relacionados ao envio de mensagens e documentos.
A dimensão do arquivo ajuda a explicar a complexidade técnica envolvida na análise. Entretanto, os ofícios de Mendonça e Fux colocam uma questão objetiva: mesmo após receberem as cópias, os gabinetes ainda não conseguiram acessar integralmente o conteúdo.
PF volta a ser acionada
Diante da dificuldade, os dois ministros recorreram à própria Polícia Federal para obter suporte técnico.
A solicitação não significa, por si só, que tenha ocorrido qualquer irregularidade na extração dos dados. Os documentos mencionam dificuldades técnicas e a possibilidade de problemas na mídia entregue, mas não estabelecem que tenha havido falha na perícia realizada pela PF.
A diferença é importante: neste momento, há uma dificuldade de acesso ao material, mas não há informação pública que permita concluir que os dados tenham sido adulterados, perdidos ou manipulados.
Conteúdo está no centro do caso Master
A situação ocorre em meio a uma disputa judicial envolvendo informações extraídas do aparelho de Vorcaro.
Em setembro, o STF analisou uma questão de ordem relacionada às Petições 16.662 e 16.704, ambas vinculadas ao caso Master. Segundo o próprio Supremo, a Petição 16.662 teve origem em relatório da PF elaborado a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro. O julgamento da questão de ordem foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O material também está relacionado a procedimentos conduzidos por Mendonça. Em documento registrado no sistema do STF, o ministro informou que a PF havia entregue ao seu gabinete, em envelope lacrado, uma cópia de segurança dos dados extraídos do celular de Vorcaro, armazenada em um HD criptografado. O documento registra que, em 11 de setembro, essa cópia permanecia lacrada e sem ter sido aberta.
A questão agora é técnica — e também institucional
A dificuldade relatada por Mendonça e Fux acrescenta mais uma camada de complexidade ao caso.
De um lado, existe um gigantesco conjunto de evidências digitais que precisa ser preservado e analisado de maneira tecnicamente adequada. De outro, parte dessas informações já aparece em procedimentos e decisões que tramitam no Supremo.
Por isso, o próximo passo deverá ser o esclarecimento técnico pela Polícia Federal sobre por que as cópias entregues aos gabinetes não puderam ser acessadas normalmente e qual procedimento será adotado para permitir a análise integral dos arquivos.
Até que essas questões sejam esclarecidas, qualquer conclusão sobre eventual falha, perda de dados ou alteração do conteúdo seria prematura.
O que está confirmado, porém, é que dois ministros do STF receberam o material extraído do celular de Daniel Vorcaro e precisaram recorrer à Polícia Federal porque não conseguiram acessar os arquivos — um novo episódio que aumenta a atenção sobre a cadeia de preservação, disponibilização e análise das evidências digitais do caso Banco Master.