Novo vídeo reacende questionamentos sobre voos de Moraes em aeronaves ligadas a Vorcaro

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Escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que contratação de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve vínculos pessoais com proprietários das aeronaves

Um novo vídeo que mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jatinho ligado ao empresário Daniel Vorcaro voltou a colocar no centro do debate a relação entre o casal, o ex-controlador do Banco Master e empresas de aviação associadas ao empresário.

Diante da divulgação das imagens, o escritório de Viviane Barci divulgou uma nota afirmando que a contratação de aeronaves ocorre exclusivamente segundo critérios operacionais e que não existe vínculo pessoal com proprietários ou operadores específicos.

Segundo o escritório, os serviços de táxi aéreo são contratados de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation. A escolha da aeronave, de acordo com a manifestação, caberia à própria empresa de aviação contratada.

A explicação, entretanto, ocorre em meio a um conjunto de informações já divulgadas sobre voos realizados por Alexandre de Moraes e Viviane em aeronaves relacionadas a empresas de Vorcaro.

Nova versão entra no centro da controvérsia

O vídeo divulgado neste domingo, 20 de setembro, ganha relevância porque contrasta com uma declaração feita anteriormente pelo gabinete de Alexandre de Moraes.

Em abril de 2026, quando surgiram questionamentos sobre possíveis viagens do ministro em aeronaves de Vorcaro, o gabinete afirmou que Moraes “jamais” havia viajado em avião de Daniel Vorcaro ou na companhia do empresário e de Fabiano Zettel.

Posteriormente, reportagens baseadas em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) apontaram que Moraes e Viviane teriam utilizado aeronaves vinculadas à Prime You, empresa que tinha Vorcaro como sócio. O Metrópoles informou que foram identificados pelo menos sete voos em jatos da empresa e outro em aeronave relacionada a Fabiano Zettel.

A nova manifestação do escritório não afirma que Viviane ou Moraes tenham contratado diretamente uma aeronave de propriedade pessoal de Vorcaro. A argumentação apresentada é de que o escritório contratava empresas de táxi aéreo e que a definição da aeronave utilizada ficava a cargo da operadora.

Essa distinção passou a ser um dos pontos centrais da controvérsia.

Mensagens e documentos ampliam o contexto

O episódio ocorre enquanto investigações envolvendo o Banco Master tornaram públicas mensagens e documentos atribuídos ao celular de Daniel Vorcaro.

Em uma das reportagens divulgadas em setembro, mensagens atribuídas a Viviane Barci indicariam que ela demonstrava satisfação com a utilização de um jatinho Legacy 650 da Prime You. Segundo a publicação, funcionários da empresa também teriam tratado do uso de aeronaves por pessoas ligadas ao escritório.

Outro ponto divulgado nas investigações envolve contratos entre o escritório de Viviane e empresas relacionadas ao Banco Master. O Metrópoles informou que documentos analisados pela Polícia Federal apontaram contratos milionários e que uma proposta chegou a prever formas alternativas de pagamento, inclusive envolvendo ativos. O escritório, por sua vez, nega que determinadas propostas tenham sido efetivamente concluídas ou assinadas.

Há ainda reportagens segundo as quais mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro registrariam diversas referências a encontros com Alexandre de Moraes entre 2024 e 2025. Essas informações integram o material que passou a ser analisado no chamado caso Master.

O que precisa ser esclarecido

O ponto fundamental agora é distinguir três questões que frequentemente acabam misturadas no debate.

A primeira é quem contratou formalmente os voos e quem efetuou os pagamentos.

A segunda é qual era a relação societária entre as empresas de táxi aéreo utilizadas e Daniel Vorcaro no período dos voos.

A terceira é se o ministro e sua esposa tinham conhecimento da relação societária envolvendo as aeronaves utilizadas.

A nota do escritório responde parcialmente à primeira questão ao afirmar que os serviços eram contratados de empresas de aviação civil. Mas a divulgação de novos documentos e imagens coloca as demais questões novamente sob escrutínio.

Caso Master aumenta pressão por esclarecimentos

O episódio ocorre em um momento de forte repercussão do caso Banco Master no STF.

A investigação reúne documentos, mensagens e informações relacionadas à relação de Vorcaro com autoridades e pessoas próximas ao poder público. Entre os materiais divulgados estão mensagens que a Polícia Federal atribuiu a uma interlocução de Moraes e que mencionariam pedidos de “proteção” envolvendo o então banqueiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Moraes nega irregularidades, enquanto sua defesa questiona a legalidade da apuração e sustenta que elementos da investigação não poderiam ser utilizados da maneira como foram apresentados.

Diante desse cenário, o novo vídeo não encerra a discussão. Ao contrário, coloca novamente sob os holofotes a necessidade de esclarecer quem contratou os voos, quais empresas estavam envolvidas, quem eram seus proprietários no período e qual era a natureza da relação comercial existente entre as partes.

Enquanto o escritório de Viviane Barci sustenta que não há vínculo pessoal com proprietários de aeronaves, os documentos e informações divulgados ao longo da investigação continuam alimentando questionamentos sobre a proximidade empresarial e os serviços utilizados pelo casal.

A resposta definitiva dependerá da análise dos documentos, dos registros de voo, dos contratos e dos esclarecimentos prestados pelos envolvidos.

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