Coordenadora econômica da campanha afirma que candidato do PL determinou revisão de tributos criados ou elevados na gestão de Fernando Haddad; equipe também nega plano de privatização da Caixa
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma agenda econômica marcada pela revisão de tributos criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.
A informação foi apresentada pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, coordenadora do plano econômico do candidato, durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, na segunda-feira (21).
Segundo Daniella, Flávio orientou sua equipe a trabalhar para revogar os impostos criados ou aumentados durante a gestão Haddad. A proposta, de acordo com a coordenadora, faz parte de uma revisão mais ampla da política tributária.
Entre as medidas citadas estão a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a retirada da alíquota de 12% do Imposto de Exportação sobre o petróleo.
IOF e petróleo estão no centro da proposta
Daniella afirmou que duas medidas estão entre as prioridades da equipe econômica: rever a cobrança sobre a exportação de petróleo e levar o IOF de volta aos níveis praticados em 2022.
A proposta sobre o petróleo se refere à alíquota de 12% estabelecida pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) para exportações de óleos brutos de petróleo. A medida foi aprovada inicialmente em julho de 2026 e posteriormente prorrogada por mais 60 dias a partir de 8 de setembro.
A equipe de Flávio já havia apresentado essa agenda anteriormente. Em entrevista à Folha, Daniella afirmou que a campanha havia mapeado mais de mil normas que poderiam ser objeto de revisão e disse que o grupo buscava inspiração em medidas adotadas pelo governo argentino de Javier Milei.
Campanha fala em revisão ampla
A estratégia econômica apresentada por Daniella não se limita a dois tributos.
A orientação, segundo ela, seria revisar os impostos criados ou elevados durante a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda. A proposta coloca a política tributária no centro do discurso econômico da candidatura e sinaliza uma tentativa de diferenciar o programa de Flávio da política adotada pelo atual governo.
A dimensão efetiva dessa revisão, porém, dependeria de quais tributos seriam alcançados, dos instrumentos jurídicos necessários para cada alteração e da situação fiscal no momento de uma eventual implementação.
Caixa não seria privatizada, diz Daniella
Outro ponto abordado pela coordenadora econômica foi o futuro da Caixa Econômica Federal.
Daniella negou que Flávio tenha intenção de privatizar o banco caso seja eleito. Segundo ela, a proposta é manter a Caixa como instituição estratégica para execução de políticas públicas e financiamento de atividades econômicas.
A coordenadora afirmou que a intenção seria concentrar eventuais mudanças em estruturas que, na avaliação da equipe, não sejam consideradas necessárias ou estratégicas.
A declaração procura afastar dúvidas levantadas entre funcionários da instituição sobre uma possível privatização. Daniella disse ter recebido mensagens de empregados da Caixa preocupados com o futuro do banco e afirmou que a proposta da campanha não prevê a venda da instituição.
Relação com o Congresso também entra no plano
Daniella também falou sobre a relação de um eventual governo Flávio Bolsonaro com partidos do centro e afirmou que a experiência do governo de Jair Bolsonaro teria servido como aprendizado para uma nova administração.
Segundo a coordenadora, o diálogo com o Congresso seria necessário para viabilizar uma agenda de governo.
A declaração ganha importância porque uma eventual revisão ampla da legislação tributária dependeria, em diferentes situações, de aprovação do Congresso Nacional.
Uma agenda econômica em construção
As declarações de Daniella apresentam uma das principais linhas econômicas defendidas pela campanha de Flávio: redução ou reversão de tributos considerados excessivos pela equipe e revisão de medidas adotadas nos últimos anos.
A proposta ainda precisa ser detalhada em termos de quais impostos seriam efetivamente revogados, qual seria o impacto sobre a arrecadação e quais medidas compensatórias seriam utilizadas para preservar o equilíbrio das contas públicas.
Por enquanto, a mensagem política da equipe econômica está definida: Flávio pretende revisar a trajetória de aumento da carga tributária associada à gestão Haddad e priorizar mudanças no IOF e no imposto de exportação sobre petróleo, enquanto Daniella Marques afirma que a Caixa permaneceria sob controle estatal e com função estratégica na política pública.