BRASÍLIA — Conversas obtidas pela Polícia Federal no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam um histórico de proximidade pessoal e frequente interlocução entre o banqueiro e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os diálogos, obtidos em investigações recentes e divulgados nesta quinta-feira (24), incluem declarações diretas de apoio mútuo, tratativas sobre eventos privados e menções a articulações em Brasília.
Entre o material periciado, destaca-se uma troca de mensagens em fevereiro de 2025, ocasião em que Alcolumbre foi reconduzido ao comando do Senado. Vorcaro enviou felicitações ao parlamentar, que respondeu agradecendo pelo suporte. Em março do mesmo ano, o senador enviou uma mensagem na qual afirmava ser “irmão pra vida toda” do empresário, recebendo em resposta promessas de lealdade.
As revelações ocorrem meses após o parlamentar ter vindo a público negar acusações veiculadas pela imprensa de que teria recebido repasses financeiros do banqueiro intermediados por terceiros. À época, Alcolumbre classificou as suspeitas como caluniosas e reafirmou não ter recebido valores da instituição ou de seus sócios.
Eventos fechados e diálogos operacionais
Os registros do aplicativo de mensagens também expõem conversas envolvendo a organização de encontros sociais privados e a preocupação dos participantes com a discrição das reuniões. Em um dos grupos de conversa, com a participação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, os interlocutores discutem a logística dos eventos, a presença de convidados estrangeiros e métodos para evitar a exposição do grupo na imprensa.
Em outro trecho das análises da PF referentes a julho de 2025 — período em que o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) —, trocas de mensagens entre Vorcaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mencionam tentativas de contato e reuniões com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no endereço residencial de Alcolumbre.
Contraponto
Em nota oficial enviada à imprensa, a assessoria do presidente do Congresso Nacional afirmou que as mensagens divulgadas têm teor estritamente pessoal ou representam comentários de terceiros sem qualquer indicativo de conduta ilegal. O comunicado classifica as publicações como um “injusto ataque” à imagem do parlamentar e sustenta que Alcolumbre adotará as medidas cabíveis para identificar e responsabilizar os envolvidos na divulgação do material.