Aliados do presidente avaliam que associação com Alexandre de Moraes pode trazer desgaste eleitoral em meio ao avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
Brasília — A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes começa a produzir efeitos também no cenário eleitoral. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que é necessário reduzir a associação pública entre o chefe do Executivo e o ministro do Supremo.
A preocupação ganhou força diante da repercussão política do conflito entre Moraes e o ministro André Mendonça e da divulgação de documentos relacionados às investigações sobre o Banco Master. Entre os materiais tornados públicos estão mensagens envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O episódio aumentou os questionamentos sobre a relação entre o ministro e o empresário e colocou o STF diante de uma crise interna que deverá ser discutida pelo plenário da Corte.
Pressão eleitoral aumenta preocupação
O momento é particularmente delicado para o governo porque ocorre paralelamente à movimentação do cenário eleitoral.
De acordo com a pesquisa Quaest mencionada pelo Metrópoles, divulgada na segunda-feira (14), Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno: 42% contra 40%. O resultado está dentro da margem de erro, mas acendeu um sinal de alerta entre integrantes da campanha petista.
Nesse contexto, aliados de Lula avaliam que a associação do presidente com Moraes pode oferecer à oposição uma narrativa eleitoral capaz de ampliar o desgaste do governo.
A estratégia discutida, porém, não significaria necessariamente um rompimento político entre Lula e o ministro.
Relação entre Lula e Moraes
Alexandre de Moraes se tornou uma das principais figuras do embate institucional com o bolsonarismo nos últimos anos. Sua atuação no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente após as eleições de 2022, fez com que o ministro se transformasse em um dos principais alvos de críticas de setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para o grupo político de Lula, Moraes também desempenhou papel relevante na reação institucional às tentativas de ruptura após o processo eleitoral.
O problema agora é eleitoral: a proximidade entre o presidente e o ministro passou a ser explorada pela oposição justamente em um momento de maior desgaste da imagem do Supremo.
Caso Master amplia crise
A situação se agravou com o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master. André Mendonça, relator do caso, determinou a retirada do sigilo de documentos que incluem comunicações envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro.
O episódio desencadeou um confronto político e institucional dentro da própria Corte. Moraes chegou a pedir investigação contra Mendonça, enquanto decisões divergentes relacionadas à Polícia Federal levaram o presidente do STF, Edson Fachin, a intervir no caso.
O Supremo marcou uma sessão extraordinária para discutir os desdobramentos da crise.
Estratégia eleitoral sob pressão
Para a campanha de Lula, o desafio é administrar uma situação politicamente delicada: preservar a aliança institucional construída nos últimos anos sem permitir que a imagem do presidente seja excessivamente vinculada a um ministro que atualmente está no centro de uma crise envolvendo o STF.
A oposição, por sua vez, tem utilizado os episódios envolvendo Moraes para questionar a relação entre o governo e o Supremo e reforçar o discurso de que existe uma proximidade excessiva entre os dois Poderes.
Com a eleição presidencial se aproximando, a avaliação dentro da campanha petista é que qualquer desgaste adicional poderá ter impacto direto na disputa.
A crise no STF, portanto, deixou de ser apenas uma questão jurídica ou institucional. O caso começa a ocupar espaço no cálculo eleitoral de 2026, especialmente diante do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e da disputa cada vez mais apertada pelo eleitorado.