Encontro entre ministros ocorre um dia antes de o STF analisar relatório da PF com mensagens e contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro
O ministro Kassio Nunes Marques se reuniu nesta segunda-feira (14) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na presidência da Corte, em Brasília. O encontro ocorreu poucas horas antes de uma das sessões mais aguardadas do Supremo nos últimos anos.
Nesta terça-feira (15), a partir das 10h, o plenário do STF deverá analisar o relatório produzido pela Polícia Federal com informações extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, incluindo mensagens e registros de contatos mantidos com o ministro Alexandre de Moraes.
O conteúdo da conversa entre Kassio e Fachin não foi divulgado. A reunião, entretanto, ocorre em um momento de intensa movimentação nos bastidores do Supremo, justamente quando Fachin trabalha para definir o rito e o alcance da sessão.
Rito ainda é uma incógnita
Uma das principais dúvidas para a sessão desta terça-feira é saber exatamente quais questões serão submetidas aos ministros.
Fachin, que assumiu a condução do caso no plenário, tem realizado conversas individuais com integrantes da Corte para discutir a organização dos trabalhos.
Entre os pontos que podem entrar em discussão estão a validade das medidas adotadas durante a apuração, o conteúdo do relatório da Polícia Federal e a possibilidade de continuidade da investigação envolvendo Moraes.
A ordem em que essas questões serão analisadas ainda é considerada um dos principais pontos de indefinição.
Mendonça levou o caso ao plenário
A discussão chegou ao plenário por iniciativa do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master.
Mendonça solicitou que o colegiado avalie a possibilidade de abertura de uma investigação sobre Moraes a partir das informações encontradas pela Polícia Federal durante a análise do material apreendido com Vorcaro.
O movimento provocou forte repercussão dentro e fora do Supremo e abriu uma discussão incomum: o tribunal terá de avaliar informações que envolvem diretamente um de seus próprios ministros.
PF encontrou 187 interações
Segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles, o material analisado pela Polícia Federal registra 187 interações entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Além das mensagens, o relatório faz referências a encontros entre os dois e a pedidos feitos pelo empresário ao ministro.
A quantidade de interações passou a ser um dos elementos centrais do debate sobre a necessidade — ou não — de aprofundamento das apurações.
É importante destacar, entretanto, que registros de contato e mensagens não constituem, isoladamente, prova de irregularidade. A eventual existência de ilícitos dependerá da interpretação das evidências e das conclusões de uma investigação formal, caso ela seja autorizada.
Celular de Vorcaro aumenta pressão sobre o STF
A disputa em torno do caso ganhou novo capítulo com os dados do celular de Vorcaro.
O aparelho é considerado uma peça relevante para compreender as relações mantidas pelo empresário com autoridades, empresários e outros personagens citados nas investigações do Banco Master.
O material passou a ser objeto de disputa entre integrantes do Supremo justamente às vésperas da sessão extraordinária.
A análise dos dados poderá ampliar o debate sobre quais informações devem ser consideradas pelos ministros e quais procedimentos foram adotados pela Polícia Federal durante a investigação.
Kassio pode ter papel relevante
A reunião entre Kassio Nunes Marques e Edson Fachin chama atenção principalmente pelo momento em que ocorreu.
Kassio integra o colegiado que poderá participar da análise do caso, mas não há, até o momento, informação pública que permita afirmar qual será sua posição.
O encontro, portanto, deve ser visto dentro de um contexto mais amplo de consultas e conversas mantidas por Fachin com outros ministros para organizar a sessão.
A definição do quórum, dos participantes e da ordem dos votos poderá ter impacto direto sobre o resultado.
Uma sessão cercada de tensão
O Supremo chega à sessão desta terça-feira diante de um cenário excepcional.
De um lado, está um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e registros de contato envolvendo um ministro da própria Corte. De outro, há questionamentos sobre a validade dos procedimentos utilizados para produzir o documento e sobre a continuidade de uma eventual investigação.
A Procuradoria-Geral da República também já se manifestou pela anulação e pelo arquivamento do relatório, aumentando a complexidade jurídica do julgamento.
A sessão poderá, portanto, não apenas decidir o destino do material produzido pela PF, mas também estabelecer os próximos passos de uma investigação que colocou o próprio Supremo no centro da controvérsia.
Com a reunião entre Kassio e Fachin ocorrendo na véspera, os olhos agora se voltam para o plenário. A partir das 10h desta terça-feira, o STF terá de decidir até onde pretende avançar na apuração e quais limites serão impostos ao caso.