A decisão do ministro André Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por 90 dias, reacendeu um debate que a direita brasileira vem travando há anos: até onde vai o poder de um único ministro do STF sobre a máquina do Estado.
Mendonça justificou a medida citando um suposto monitoramento ilegal sofrido por ele mesmo durante mais de um mês — uma acusação grave, que deveria, a rigor, ser apurada por instâncias colegiadas, não decidida unilateralmente em caráter liminar.
O episódio se soma a uma sequência de decisões individuais de ministros do Supremo que, na avaliação de setores conservadores, transformaram a Corte em protagonista permanente da vida política nacional, substituindo o debate público e o processo eleitoral por decisões técnicas de gabinete.
A reação imediata da Advocacia-Geral da União, pedindo a suspensão da medida por “grave lesão à ordem pública”, mostra que nem o próprio governo considera a decisão trivial.
Para quem defende um Judiciário mais contido, o caso é sintomático: um tribunal que deveria arbitrar consenso está, cada vez mais, funcionando como ator político com poder de veto sobre o Executivo, a 25 dias do primeiro turno de uma eleição presidencial decisiva.
Independentemente do mérito da denúncia de Mendonça contra Alexandre de Moraes, o timing da crise — em plena campanha — reforça o argumento de que o desenho institucional brasileiro precisa de reforma para devolver ao voto popular o que hoje é decidido em Brasília, por um punhado de togas.