Swedenberger Barbosa teria recebido relógio Cartier de R$ 66 mil, obra de arte de quase R$ 83 mil e festa de aniversário bancada por Roberta Luchsinger, empresária ligada a Lulinha
A pressão aumentou dentro do Palácio do Planalto após a divulgação de mensagens que mostram a proximidade entre Swedenberger Barbosa, um dos assessores mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária Roberta Luchsinger, sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Segundo as informações divulgadas nesta quinta-feira (24), pessoas do entorno de Lula aconselharam Berger, como é conhecido, a deixar o cargo de chefe de gabinete adjunto da Presidência.
A eventual saída, porém, ainda não foi confirmada oficialmente. Também não há definição sobre quando isso poderia acontecer.
O episódio ganhou força após a divulgação de mensagens e registros relacionados a presentes de alto valor que teriam sido entregues por Luchsinger ao assessor presidencial.
Presentes de alto valor
Entre os itens mencionados está um relógio Cartier Tank de ouro avaliado em aproximadamente R$ 66 mil.
Outro presente seria um quadro do pintor Antonio Veronese, comprado por 13 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 83 mil na época da aquisição.
As mensagens divulgadas também mostram Berger enviando uma fotografia do quadro que estaria em sua residência e agradecendo pela relação mantida com Luchsinger.
Além dos objetos, as conversas citam ingressos para shows e outros benefícios.
Festa em camarote de Brasília
As mensagens também apontam que Luchsinger teria organizado a festa de aniversário de Berger em novembro de 2024.
A comemoração ocorreu em um camarote do estádio Mané Garrincha, em Brasília, durante apresentação de Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Depois do evento, Berger teria agradecido à empresária pela festa. As mensagens são agora utilizadas como parte do conjunto de informações que levantou novos questionamentos sobre a relação entre os dois.
Relação começou antes da chegada de Berger ao Planalto
O caso ganhou uma dimensão maior porque a relação entre Berger e Luchsinger não teria se limitado à esfera pessoal.
Na época em que os presentes foram mencionados, Swedenberger ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde, durante a gestão de Nísia Trindade.
Reportagens anteriores apontaram que Luchsinger mantinha contatos com Berger para tratar de interesses relacionados ao Ministério da Saúde, incluindo questões envolvendo recursos destinados a estados e municípios.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal também teriam registrado a atuação de pessoas próximas ao presidente para facilitar encontros entre Luchsinger e integrantes do governo.
Posteriormente, Berger deixou o Ministério da Saúde e passou a ocupar uma posição no núcleo da Presidência da República.
Caso coloca Planalto novamente sob pressão
A situação agora cria um problema político para o governo Lula.
Berger ocupa uma posição dentro da estrutura presidencial e, segundo as informações divulgadas, teria sido aconselhado a deixar a função justamente após a repercussão dos presentes atribuídos a Luchsinger.
O episódio também amplia os questionamentos sobre a influência de pessoas próximas a Lulinha junto a integrantes da administração federal.
A relação entre Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva é um dos elementos que deram maior repercussão ao caso, especialmente porque os contatos da empresária com integrantes do governo passaram a ser analisados no contexto das investigações conduzidas pelas autoridades.
Planalto nega recebimento de presentes
O Palácio do Planalto afirmou que Swedenberger Barbosa e Cláudia Troiano, secretária pessoal de Lula, negam ter recebido presentes de Roberta Luchsinger.
A manifestação oficial diverge das informações presentes nas mensagens divulgadas, que fazem referência a presentes, encontros e à festa de aniversário de Berger.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o assessor tenha cometido qualquer irregularidade.
Demissão ainda não está confirmada
Apesar da pressão dentro do governo, Swedenberger Barbosa continua no cargo até o momento.
A informação de que pessoas próximas a Lula recomendaram sua saída representa, contudo, uma mudança no cenário político em torno do assessor.
O Planalto agora precisa decidir se manterá Berger na estrutura presidencial enquanto as informações sobre sua relação com Luchsinger continuam sob escrutínio ou se optará por uma mudança para tentar conter a repercussão do caso.
A eventual saída do assessor poderá se transformar em um novo capítulo das investigações que envolvem Roberta Luchsinger, Lulinha e integrantes da estrutura do governo federal.