TSE ENTRA NO CENTRO DA DISPUTA SOBRE POSTS DE NOSSA SENHORA APARECIDA

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Plenário virtual analisa decisão de André Mendonça que determinou remoção de publicações associando Flávio Bolsonaro à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral entra nesta quarta-feira (30) no centro de uma das principais disputas jurídicas da campanha presidencial de 2026.

A partir das 10h, os ministros do TSE começam a analisar, em plenário virtual, a decisão individual de André Mendonça que determinou a retirada de publicações que associavam o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A sessão está prevista para terminar às 23h59.

A decisão foi tomada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que convocou uma sessão extraordinária para que o colegiado examine a medida de Mendonça.

O julgamento acontece em meio a uma sequência incomum de decisões envolvendo ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal.

E é justamente aí que o caso deixa de ser apenas uma discussão sobre publicações nas redes sociais.

O CASO QUE CHEGOU AO CENTRO DO PODER JUDICIÁRIO

A controvérsia começou depois que circulou nas redes sociais uma informação atribuindo a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O candidato nega essa intenção.

A narrativa também foi relacionada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que acabou arquivado e não tinha relação com Flávio Bolsonaro.

A campanha do candidato levou o caso à Justiça Eleitoral.

Na sexta-feira (25), André Mendonça determinou a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet e, posteriormente, ampliou a determinação para conteúdos que apresentassem como verdadeira a associação de Flávio Bolsonaro à suposta proposta.

O entendimento preliminar de Mendonça foi de que as publicações poderiam ultrapassar o campo da crítica política e disseminar uma informação falsa capaz de interferir na formação da vontade do eleitor.

ENTÃO ENTROU O STF

O caso ganhou outra dimensão no domingo.

O ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão de Mendonça e determinou o restabelecimento das publicações.

Dino argumentou que a postagem de Tabet não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro e afirmou que não havia, naquele momento, grau de certeza suficiente sobre a ilicitude do conteúdo para justificar uma restrição tão severa à liberdade de expressão.

O ministro também fundamentou sua decisão na proteção constitucional à liberdade de expressão e à liberdade religiosa.

A decisão criou um choque entre entendimentos dentro das próprias instituições responsáveis pelo controle eleitoral e constitucional.

FUX MUDA NOVAMENTE O CENÁRIO

Na segunda-feira (28), o ministro Luiz Fux suspendeu os efeitos da decisão de Dino e restabeleceu a ordem anterior de retirada das publicações.

Fux determinou que as plataformas voltassem a cumprir a decisão do TSE e deu prazo de 24 horas para o cumprimento.

O ministro também questionou a forma como o caso chegou ao STF e sustentou que a matéria eleitoral deveria permanecer sob a competência da Justiça Eleitoral.

O resultado foi um verdadeiro vaivém judicial:

Mendonça determina a retirada.

Dino suspende a retirada.

Fux suspende a decisão de Dino.

E agora o TSE volta a analisar a decisão original.

NUNES MARQUES REAGE

A sequência de decisões provocou uma reação institucional do presidente do TSE.

Kassio Nunes Marques encaminhou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, manifestando preocupação com o que classificou como “indevida sobreposição de competência” em decisões relacionadas à Justiça Eleitoral.

A questão levantada pelo presidente do TSE é central:

quem deve dar a palavra final quando uma decisão da Justiça Eleitoral é contestada no Supremo durante uma eleição?

Não se trata apenas de decidir se uma postagem deve permanecer no ar.

Trata-se também de definir os limites de atuação de cada tribunal.

TSE OU STF: QUEM DEVE DECIDIR?

É essa a discussão institucional que passou a acompanhar o caso.

O TSE é o tribunal responsável pela condução da Justiça Eleitoral e pelo julgamento das questões eleitorais dentro de sua competência.

O STF, por sua vez, exerce a função de Corte Constitucional e pode analisar questões constitucionais submetidas à sua apreciação.

O episódio mostrou como essas competências podem se encontrar quando uma decisão eleitoral envolve também direitos fundamentais, como liberdade de expressão.

Foi justamente essa sobreposição que provocou a manifestação de Nunes Marques.

E o STF, por enquanto, não colocou o caso em julgamento nesta quarta-feira. O presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu não pautar os processos sobre as postagens na sessão de hoje. Não há, até o momento, nova data definida para essa análise.

AGORA, A PALAVRA ESTÁ COM O PLENÁRIO DO TSE

O julgamento desta quarta-feira ganha, portanto, uma importância especial.

Os ministros do TSE vão analisar coletivamente a decisão que inicialmente determinou a retirada das publicações.

O resultado poderá estabelecer o entendimento do colegiado sobre o caso e reduzir, pelo menos neste momento, a dependência de decisões individuais.

A sessão será virtual, sem debates orais, com os ministros registrando seus votos no sistema eletrônico.

Mas a disputa institucional não necessariamente termina aí.

A decisão de Fux continua sendo uma peça importante do caso, e a discussão sobre a atuação do STF ainda poderá chegar ao plenário da Suprema Corte.

O QUE ESTÁ REALMENTE EM JOGO

Por trás da disputa sobre Nossa Senhora Aparecida existe uma questão muito maior para as eleições de 2026:

qual é o limite da Justiça para retirar conteúdo político das redes sociais durante uma campanha?

A resposta precisa equilibrar dois interesses constitucionalmente relevantes.

De um lado, está a proteção do eleitor contra informações falsas capazes de interferir no processo eleitoral.

Do outro, está a liberdade de expressão, especialmente quando uma publicação pode ser interpretada como crítica, opinião ou sátira.

O caso envolvendo Antonio Tabet mostra como essa fronteira pode ser difícil de estabelecer.

E agora o TSE terá de se posicionar novamente.

UMA DISPUTA QUE ULTRAPASSOU AS REDES SOCIAIS

O que começou com uma postagem nas redes sociais transformou-se em uma disputa envolvendo TSE, STF, liberdade de expressão, propaganda eleitoral e competência institucional.

Enquanto o TSE analisa a decisão de André Mendonça, o STF ainda não tem data definida para analisar o conjunto da controvérsia.

A questão, portanto, permanece aberta.

Mais do que decidir o destino de algumas publicações, os tribunais terão de estabelecer até onde vai o poder da Justiça Eleitoral para combater desinformação e onde começa o espaço protegido da liberdade de expressão.

E, em uma eleição presidencial, essa fronteira pode se tornar tão importante quanto o próprio conteúdo que deu origem à disputa.

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