Moraes reage a Mendonça, nega crime e acusa “vingança” no Caso Master

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Ministro do STF contesta relatório da PF, questiona a legalidade da investigação e levanta suspeita de possível interferência externa

Brasília — O embate dentro do Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo. Às vésperas da sessão que pode definir se Alexandre de Moraes será investigado no Caso Master, o ministro apresentou uma defesa contundente ao presidente da Corte, Edson Fachin.

Em 44 páginas, Moraes nega qualquer prática criminosa, questiona a validade do relatório da Polícia Federal e acusa a iniciativa de André Mendonça de ter motivação política e de representar uma tentativa de “vingança”.

O ministro também levanta dúvidas sobre a cadeia de custódia do relatório e afirma que os metadados indicariam problemas na elaboração do documento.

Suspeita de interferência externa

O trecho mais explosivo da manifestação está na afirmação de Moraes de que o relatório poderia ter recebido auxílio de um órgão externo, chegando a mencionar a possibilidade de participação de uma instituição estrangeira.

Segundo o ministro, essa hipótese poderia estar relacionada a uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026.

A alegação, entretanto, foi apresentada por Moraes em sua própria defesa e não constitui, por si só, comprovação de participação estrangeira.

Uma disputa que ultrapassa o Caso Master

Moraes também relacionou o episódio às disputas políticas que envolvem o STF desde os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

Para o ministro, a ofensiva contra sua atuação seria parte de uma estratégia de grupos que se opõem às decisões tomadas pelo Supremo nos processos relacionados aos ataques às instituições democráticas.

Agora, o STF terá de avaliar se os elementos apresentados justificam a continuidade das apurações ou se os argumentos de Moraes são suficientes para afastar a investigação.

O episódio aumenta a tensão entre integrantes da própria Corte e coloca o Supremo novamente diante de uma questão delicada: como investigar um ministro do tribunal sem transformar o procedimento em uma disputa política interna?

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