Investigadores foram ao endereço associado à Tirreno, empresa envolvida na origem de carteiras de crédito negociadas pelo Banco Master com o Banco de Brasília
Uma diligência da Polícia Federal revelou um novo elemento nas investigações sobre as operações bilionárias envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Ao cumprir uma ordem judicial relacionada à Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A., os investigadores encontraram um espaço de coworking no endereço associado à empresa.
A diligência ocorreu em 18 de novembro de 2025. Segundo registro produzido pelos policiais e divulgado pelo Metrópoles, a administração do local informou que a Tirreno não possuía vínculo com a empresa responsável pelo espaço e também não aparecia entre os clientes atuais ou antigos.
A descoberta chama atenção porque a Tirreno está no centro de uma operação financeira que movimentou cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo BRB a partir de negócios envolvendo o Banco Master.
Empresa não aparecia nos registros do coworking
De acordo com o documento citado na investigação, os policiais verificaram os registros de clientes do espaço e constataram que a Tirreno não fazia parte da relação de empresas que utilizaram o endereço.
O único material considerado de interesse pelos investigadores foi uma lista digitalizada de clientes do coworking, que acabou sendo anexada aos autos da investigação. Registros fotográficos do ambiente também foram produzidos durante a diligência.
O episódio passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela PF para tentar compreender como foram estruturadas as operações de crédito atribuídas à Tirreno.
PF questiona existência dos créditos
A questão ganha dimensão ainda maior diante das conclusões apresentadas pela Polícia Federal sobre as carteiras negociadas.
Segundo documento citado pela CNN Brasil, uma análise realizada pelo Banco Central apontou fortes indícios de que as Cédulas de Crédito Bancário negociadas pelo Banco Master com o BRB não existiam.
A PF afirmou, com base na análise do BC, que os créditos cedidos ao banco público não puderam ser confirmados. As operações mencionadas no documento somam aproximadamente R$ 12,2 bilhões.
O Poder360 também informou que a investigação aponta que parte das aquisições ocorreu mesmo depois de questionamentos do Banco Central sobre a origem dos créditos. Segundo a publicação, o próprio BRB teria reconhecido dificuldades para auditar determinadas carteiras por falta de documentação.
Operação colocou Tirreno no centro das investigações
A Tirreno já vinha sendo apontada pela investigação como uma peça importante na cadeia de operações entre o Master e o BRB.
Em outro levantamento divulgado pelo Metrópoles, o Banco Central não teria identificado movimentações financeiras compatíveis com as operações de crédito que a empresa afirmava ter realizado. A investigação também apontou um volume expressivo de operações registradas em curto período.
O caso integra a Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades em operações envolvendo carteiras de crédito e instituições financeiras.
A dimensão da operação chamou atenção também porque, segundo informações divulgadas anteriormente, o Banco Master teria adquirido carteiras atribuídas à Tirreno por cerca de R$ 6,7 bilhões e posteriormente vendido os ativos ao BRB por aproximadamente R$ 12,2 bilhões.
O que a investigação ainda precisa esclarecer
A descoberta do coworking não prova, isoladamente, a inexistência da Tirreno nem determina responsabilidade criminal de seus envolvidos. O que o episódio acrescenta à investigação é uma evidência documental sobre a ausência de vínculo entre a empresa e o endereço que aparecia associado a ela.
O ponto central agora é entender quem efetivamente estruturou, documentou e originou os créditos que chegaram ao BRB, além de verificar como essas operações foram aprovadas e quais documentos foram utilizados para comprovar sua existência.
As conclusões definitivas dependerão do avanço das investigações e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.
Fonte: Metrópoles, com informações atribuídas à Polícia Federal; dados complementares: CNN Brasil e Poder360.