Relatório da Polícia Federal veio a público após retirada do sigilo pelo ministro André Mendonça; aparelhos foram recolhidos durante operação que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master
A investigação sobre as relações entre políticos, empresários e o antigo Banco Master ganhou um novo capítulo com a divulgação de um relatório da Polícia Federal que registra a apreensão de dois celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e a recusa do parlamentar em fornecer as senhas dos aparelhos.
A informação consta de documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os celulares foram apreendidos durante uma operação realizada em 18 de junho, na residência de Wagner, em Salvador, no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo o relatório policial, os investigadores recolheram dois aparelhos Samsung, um preto e outro branco, e registraram que o senador não forneceu as senhas solicitadas.
O que a PF procura nos aparelhos
A apreensão dos celulares faz parte de uma investigação mais ampla sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
No caso de Jaques Wagner, a Polícia Federal busca esclarecer possíveis relações do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. Parte das conversas entre Lima e pessoas próximas ao senador já havia sido localizada pelos investigadores antes da operação.
Os aparelhos apreendidos podem, portanto, ajudar os investigadores a reconstruir contatos, conversas e eventuais negociações que estejam relacionadas aos fatos sob apuração.
Investigação ganhou novos elementos
A operação contra Wagner já havia chamado atenção pelo número de diligências realizadas em endereços ligados ao senador.
Durante a ação, a PF também apreendeu dinheiro em espécie e outros objetos de valor em endereços relacionados ao parlamentar. Segundo informações divulgadas à época, foram encontrados dólares e euros, além de relógios.
A investigação apura se houve eventual recebimento de vantagens indevidas e possíveis relações entre Wagner e integrantes ou operadores ligados ao Banco Master.
O senador, entretanto, nega irregularidades e afirmou que não é réu nem foi denunciado no caso.
O que significa a recusa das senhas?
A existência do registro da recusa não significa, por si só, que Wagner tenha cometido algum crime.
A partir dos documentos divulgados, o que se sabe é que a Polícia Federal apreendeu os aparelhos e registrou que o senador não forneceu as senhas.
Caberá à investigação determinar se os dispositivos contêm informações relevantes para o inquérito e se existe alguma conexão entre os dados armazenados e as suspeitas investigadas no caso Master.
Essa distinção é importante porque uma investigação policial não equivale a uma condenação.
Caso Master amplia pressão sobre o meio político
O caso envolvendo o Banco Master vem alcançando diferentes setores da política brasileira e provocando novas frentes de investigação.
A divulgação dos documentos envolvendo Wagner ocorre justamente em um momento em que o Supremo Tribunal Federal ampliou o acesso a informações relacionadas ao caso.
Além de Wagner, outros políticos e autoridades passaram a aparecer nos documentos e nas investigações relacionadas ao grupo de Daniel Vorcaro. A extensão das apurações transformou o caso Master em uma das principais investigações com impacto político e financeiro no país.
Próximos passos
Agora, a expectativa está voltada para o avanço da análise dos materiais apreendidos e para os próximos atos da investigação.
Os celulares de Jaques Wagner podem se tornar peças importantes para os investigadores caso contenham conversas ou documentos relacionados às pessoas e empresas investigadas.
Por enquanto, o relatório da PF registra apenas um fato objetivo: os aparelhos foram apreendidos e as senhas não foram fornecidas pelo senador.
O conteúdo que eventualmente possa ser extraído dos dispositivos, bem como sua relevância para a investigação, dependerá da análise técnica da Polícia Federal e das decisões tomadas no decorrer do processo.
O caso segue sob investigação, e qualquer eventual responsabilidade criminal ainda depende da conclusão das apurações e, se houver denúncia, da análise da Justiça.